Só uma renúncia coletiva pode trazer o nosso Cruzeiro de volta

Foto: Umbro/Divulgação
A crise institucional que ficou em evidência no Cruzeiro durante o ano de 2019 parece ainda longe de um fim.

Se no começo da temporada a expectativa para grandes conquistas era muito grande, tudo desandou após as denúncias, em rede nacional, de corrupção e irregularidades da diretoria celeste.

Os problemas, contudo, tiveram início bem antes, com as gestões anteriores. Não podemos eximir os mandatos de Zezé Perrela e Gilvan de Pinho Tavares. Ambos deixaram o Cruzeiro em uma situação financeira crítica, com um aumento considerável da dívida e nenhum plano para mudar isso.

Os quatro títulos nacionais, sendo dois do Campeonato Brasileiro e dois da Copa do Brasil, vieram com um custo altíssimo. Os gastos exacerbados e a falta de planejamento financeiro, com jogadores caros, um programa de sócio torcedor ineficiente, além de um cabide interminável de empregos com altos salários, são um dos pontos que nos colocaram nesta atual situação. Conseguiram um feito inédito e muito lamentável para nossa história: estamos fora da primeira divisão em 2020. 

O Cruzeiro virou refém de grupos políticos, de clãs, de perpetuação de famílias e de um jogo de poder sujo e nefasto. Poucos atuam, de fato, em prol da instituição, enquanto muitos estão ali apenas pelo status, pelo dinheiro e pelo poder. Essa combinação tem tudo para dar errado e, no nosso caso, foi o estopim da pior crise dos nossos quase 99 anos.

Muitos são os culpados pela nossa queda neste ano. Primeiramente, a diretoria amadora que adentrou o Cruzeiro e implementou um plano de gestão totalmente arcaico e inadequado para nossa realidade. Wagner Pires de Sá, Itair Machado, Sérgio Nonato, Leandro Freitas. Anotem bem esses nomes. Foram eles os principais responsáveis pelo péssimo trabalho desempenhado.

Não podemos esquecer de um conselho majoritariamente omisso. Muito do que se passou não foi devidamente fiscalizado ou, se houve alguma fiscalização, não tomaram as devidas providências.

Enquanto isso, dentro de campo, inúmeros erros de planejamento e decisão, com todo o apoio da pífia diretoria. O começo de ano avassalador, com o título mineiro e uma longa invencibilidade, serviu para mascarar muita coisa errada.

A ideia de priorizar as Copas em detrimento do Campeonato Brasileiro foi muito equivocada. O Cruzeiro fez um início de campeonato muito ruim, com vários jogos sem vitória e sempre frequentando a zona da confusão, próximo do Z-4. Os resultados não chegavam e o futebol praticado era muito ruim. Mesmo assim, o trabalho da comissão técnica era pouco questionado. O prestígio ainda era grande, pelas conquistas recentes.

Os nossos principais jogadores caiam pelas tabelas. Robinho, Dedé, Egídio, Edílson, David, Fred e, principalmente, Thiago Neves, davam claros indícios de que não conseguiriam reverter a situação.

Foram 4 treinadores em 2019. Um teimoso Mano Menezes, com um futebol pragmático e que relutou em efetuar mudanças na equipe, mesmo com a queda do nível de jogo do Cruzeiro.

A chegada de Rogério Ceni e uma boa vitória em sua primeira partida, no Mineirão, contra o Santos, deu uma nova ponta de esperança para a torcida. No entanto, a panela do grupo de jogadores fritou o treinador. A diretoria, quando apertada, preferiu comprar a briga dos jogadores. Infelizmente, Ceni havia detectado os principais problemas do nosso time e se mostrou disposto a efetuar mudanças que poderiam nos salvar. Cometeu erros, é claro. Um inicio de trabalho, uma nova filosofia. Mas entendo que ele, pelo menos, mostrou mais respeito à instituição do que vários jogadores.

Nosso terceiro treinador, Abel Braga, veio como uma resposta ao pedido de alguns atletas. Acreditávamos que eles voltariam a jogar futebol. Não aconteceu. Apesar de algumas vitórias importantes, contra São Paulo, Corinthians e Botafogo, a sequência de empate, a queda vertiginosa do futebol praticado e as desanimadas entrevistas coletivas já mostravam que o técnico não conseguiria resolver nosso problema.

Por fim, chegou Adilson Batista, em um claro sinal de desespero; aquela última fagulha de esperança. O tempo era muito curto para implementar qualquer coisa. Foram apenas 3 jogos e 3 derrotas.

No meio disso tudo, a crise política continuava com tudo nos bastidores. Itair Machado e Sérgio Nonato foram, aparentemente, desligados do clube. Mas que garantias temos de que eles não continuam dando as cartas lá dentro? Zezé Perrela voltou ao futebol do Cruzeiro e já saiu. Não seria a solução.

Com isso, a crise só aumenta. Os problemas financeiros parecem não ter fim. São dívidas trabalhistas, salários atrasados, processos na FIFA e, tudo isso pode causar penalidades ainda maiores para o Cruzeiro.

Os patrocinadores começaram a abandonar o clube. Os torcedores não aderem mais ao programa de sócio torcedor. Os que ainda estavam associados estão cancelando os seus planos. As receitas de televisão sofreram uma drástica redução com o rebaixamento. Para piorar, a diretoria já havia antecipado muitas destas receitas com a detentora dos diretos de transmissão. É o caos.

Por conta disso tudo, tivemos, na sexta-feira dia 13/12/2019, um dos maiores protestos organizados pela torcida do Cruzeiro. A pauta é apenas uma: a saída de Wagner Pires de Sá, de seus vices e de toda a diretoria.

Na verdade, somente isso pode salvar o Cruzeiro Esporte Clube. Uma renúncia coletiva da diretoria, do conselho. Novas eleições e, consequentemente, novas caras para comandar o futuro do clube. Novo presidente, novos diretores, novos conselheiros.

Essa necessária mudança pode fazer o Cruzeiro renascer das cinzas e se reestruturar. Novos investidores, o apoio da torcida com um reformulado programa do sócio 5 estrelas, uma gestão transparente e responsável. E precisamos disso o mais rápido possível. A cada dia que passa, a crise só aumenta.

A atual diretoria não pode continuar. O Cruzeiro não é deles, não é dos clãs e famílias que ali se perpetuaram por tantos anos, não é dos conselheiros preocupados apenas com status, poder e confraria.

O Cruzeiro é do povo. É de 9 milhões de torcedores. É de pessoas como a Dona Salomé, que, infelizmente, não suportou todos os desmandos que fizeram no seu clube de coração.

Nós não deixaremos que continuem a destruir esse clube. Não mais. Nós não daremos sossego a todos os culpados enquanto eles continuarem a sugar o Cruzeiro. 

Que venha logo a renúncia de toda a diretoria. Para o bem do Cruzeiro Esporte Clube.

8 comentários:

  1. Não apenas a renúncia, mas, a devolução de tudo que roubaram do nosso Cruzeiro, a começar pelo IPVA e seguros pagos à família do vagabundo Wagner Pires

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  2. três considerações: ganhou do Santos sim, mas porque este jogou com 10 desde dois minutos do primeiro tempo.
    Não pode de sair todo mundo, Beneci tem de ficar, do contrário não haverá mais título.
    Urge mudar o nome deste blogue para "O maior CALOTEIRO de Minas".

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  3. Infelizmente não acredito em uma renuncia coletiva, aliás, não acredito nem que o Leôncio irá entregar a presidência facilmente. O que me deixa mais apreensivo é saber que os dias estão passando e o Cruzeiro não negocia os jogadores, então provavelmente mais salários serão arrasados.

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  4. Grande Tiago. Trabalhamos juntos. Parabéns pelo comentário. Nos vamos salvar o Cruzeiro

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  5. Parem de dizer a besteira que os dois brasileiros e as duas cópas do Brasil que nos quebraram. O títulos de 13 e 14 foram conquistados com elencos que em sua maioria apostas corrretas e que não custaram caro.A copa Brasil de 2018 rendeu mais de 60.milhoes. O cruzeiro quanto mais vende e arrecada mais se endivida. Houve um momento em que sócio torcedor e arquibancada rendiam mais qur cota de TV. O fantástico já mostrou a causa da queda e da quebra.. corrupção, empresário, esquemas. Portanto ,.parem com a asneira que o custo dos títulos que quebraram o cruzeiro.Ao fazer isso vcs sem perceber ajudam os dirigentes tirando o foco do problema. Veja os membros do conselho e as as pessoas influentes do Cruzeiro, parecem figuras decadentes de BH da década de 40 do século passado. O cruzeiro virou um clube onde todos lucram em cima. Parem de dizer besteira, agora vai ficar sem títulos, alguem acredita que isso melhora as finanças?

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  6. Essa quadrilha Tem que sofre represálias. Eles montaram um esquema de furto e roubos e com a ajuda de empresários e de jogadores (FRED, Robinho TIAgO NEVES , EGIDIO , Dede e ouros ). O clube vive hj as paginas de jornais , sendo escorraçado pelo país inteiro, Pessoas como Itair e Serginho Batoré deveriam ser expulsos do clube. Esse Serginho o cara mais oportunista da cidade merece cadeia, assim como o Pilantra do Itair. Mas quem os botou lá tb trem culpa receberam dinheiro para isso.
    Jogadroes como FRED NUNCA Mais pisAR NAS DEPENDENCIAS DO CLUBEL. SER EXPULSO E RETIRADO DOS ARQUIVOS . o CERTO SERIA DISPENSAR TODO O PLANTEL .. TODO ...DO GOLEIRO AO ULTIMO PESSIMO DAVID, ASSIM SO VAMOS RECOMEÇAR.. PQ COM ESSE BANDO DE INUTIL SERIE C É GARANTIDO.

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  7. O que tem haver a administração Perrela e Gilvan. Não foram os títulos que quebraram o Cruzeiro, deixa de ser lesado. O que quebrou foram dois anos de má administração e corrupção. A dívida saiu de 350 milhões para 700 milhões em dois anos. Quem vc acha que ganhou com o Fred? O empresário, Itair e o jogador. Tem que rever todos os contratos e pedir indenização pelos desmandos.

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  8. O torcedor tem que fazer um sacrificio pra salvar seu time. Tem que deixar de comprar até leite pra criança pra poder pagar o salário de 150 mil dos jogadores

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