Ainda é cedo para falar em Um Novo Cruzeiro


Foto:  Divulgação/Cruzeiro

Quem acompanha o Cruzeiro de perto, sabe que nossa fase não é das melhores.

Se fora de campo, as coisas já não pareciam muito boas, desde o início da gestão de Gilvan de Pinho Tavares, dentro das quatro linhas, as conquistas recentes serviram para mostrar nossa força e grandeza.

Ainda assim, as péssimas gestões que se seguiram desde então colocaram o Cruzeiro na rota do fracasso. Aliás, a gestão de Wagner Pires de Sá não só foi uma das piores, ou talvez até a pior de nossa história, como conseguiu destruir toda a estrutura do clube, até nos empurrar ladeira abaixo, rumo à uma inédita segunda divisão.


Um presidente sem comando, um fantoche para que outros fizessem de tudo, exceto ajudar o clube a prosperar.


Um conselho omisso e que, por anos e anos, deixou tudo isso acontecer. Enquanto o clube se deteriorava de dentro para fora, muitos conselheiros deixaram de cumprir o seu papel, fizeram vistas grossas para algo que acontecia debaixo de seus narizes.


As categorias de base foram sucateadas e jogadas nas mãos de empresários, assim como outras áreas do clube. Várias promessas vendidas (ou praticamente doadas) por preços tabelados e por transações esdrúxulas. Vários jogadores contratados sem qualquer recomendação, ou qualquer qualidade para jogar no clube da grandeza do Cruzeiro. Mas o pagamento de comissões exorbitantes e os contratos maléficos para o clube continuavam.


O tradicional atletismo do Cruzeiro foi descartado completamente pelo infame Sérgio Nonato.


As dívidas cresceram exponencialmente durante os últimos anos. De fato, já vinham sofrendo um aumento considerável desde o mandato de Gilvan. O bicampeonato brasileiro não trouxe o retorno financeiro que esperávamos. Após a chegada de Wagner Pires de Sá e sua turma, a coisa só degringolou.


O bicampeonato da Copa do Brasil serviu para maquiar todo mal que fez a última diretoria e sua família União.


Mas não dá para entender como um clube consegue um déficit de R$ 394 milhões no período de apenas um ano. É mais de R$ 1 milhão de prejuízo por dia! É inacreditável.


E quem sofre de verdade por conta disso? Nós, torcedores. Aqueles que acompanharam toda a derrocada de 2019, mas ainda com uma réstia de esperança até o último momento.


A chegada do Conselho Gestor, no final de 2019 e começo de 2020, trouxe a esperança de que o Cruzeiro entraria nos eixos novamente. Um grupo montado com vários empresários torcedores do clube, e dispostos a ajudar em um momento tão complicado. Acho que todo cruzeirense encontrou forças ali para imaginar um 2020 muito melhor, dentro das possibilidades.


Contudo, por mais que o trabalho do núcleo transitório tenha sido louvável em diversos aspectos, ele foi insuficiente em muitos pontos.


O comando do futebol com Adilson Batista, Benecy Queiroz e Ocimar Bolicenho, para o início de temporada, se mostrou um tiro no pé. As contratações efetuadas foram de caráter duvidoso. Quem imaginava que Roberson, João Lucas, Éverton Felipe, Machado e Jhonata Robert não dariam certo, não é mesmo?


Inclusive, Éverton Felipe e Jhonata Robert já foram devolvidos aos seus clubes de origem.


O último contrato com cláusulas que não ajudam em nada o Cruzeiro foi divulgado nesta última semana. O atacante colombiano Angulo, que seria titular em nossa reestreia na temporada, teve sua volta solicitada pelo Palmeiras. Como o contrato previa que o clube paulista poderia solicitar o retorno do jogador a qualquer momento, o Cruzeiro nada pôde fazer.


O final do Conselho Gestor ainda guardaria uma facada na alma de toda a torcida. A perda de 6 pontos na disputa da Série B pelo não pagamento de uma dívida na FIFA. Algo imperdoável e sem explicação.


A eleição de Sérgio Santos Rodrigues para uma gestão curta, apenas até o final de 2020, movimentou os bastidores celestes e mostrou que a disputa política continua muito forte dentro do clube.


Ainda assim, a chegada de um novo presidente serviu para criar um momento de estabilidade; algo que não tivemos nem com a chegada do Conselho Gestor. Faltava, de fato, uma figura de autoridade. Alguém que respondesse pelo clube e colocasse sua cara na linha de frente.


Mas a vida do torcedor cruzeirense não tem sido fácil nos últimos tempos. Não há tranquilidade que dure, até a chegada de um mar de notícias ruins.


Mesmo com um início de trabalho promissor da nova gestão, ainda é cedo para falar em Novo Cruzeiro, como tanto anunciam nas lives semanais e nas publicações das redes sociais. Aliás, esse é um ponto positivo da nova diretoria e um trunfo em nossa recuperação: o engajamento do clube nas redes sociais melhorou consideravelmente. Ainda há, é claro, muito a melhorar, mas em comparação com o que era antes, é nítida a melhora de conteúdo e interação com o torcedor.


A campanha denominada Operação Fifa, para angariar recursos com o objetivo de pagar dívidas mais urgentes e importantes, também foi uma iniciativa muito interessante.


Com o tempo, ainda tivemos a chegada de novos patrocinadores e uma retomada da confiança.


Apesar disso, ainda é preciso ter muita cautela. O começo da gestão da família União também foi muito promissor. O discurso também foi muito bonito e bem alinhado. Lembremos de “Mitair”, dos óculos futuristas, do “presida raiz”.


Não podemos nos empolgar demais e deixar de cobrar as coisas importantes que precisam ser feitas.


Claro que as nossas dívidas são urgentes e prioritárias no momento, e vejo essa diretoria trabalhando para conseguir quitá-las, sem nos prejudicar ainda mais.


Porém, o principal ponto de partida para uma melhoria efetiva é algo que ainda aflige muitos torcedores: a mudança do Estatuto. Sem isso, não há novo Cruzeiro.


Mas, como acreditar em algo novo, se na comissão do processo de reforma do estatuto do Cruzeiro faz-se presente o Sr. Gilvan de Pinho Tavares? Como acreditar em algo novo, se o mesmo Gilvan presidiu a mesa de votação nas últimas eleições?


Como teremos um Novo Cruzeiro sem uma profunda mudança no Conselho Deliberativo? Ainda mais quando o atual presidente do Conselho fez parte do Conselho Fiscal na gestão passada.


Qual o sentido de falar em Novo Cruzeiro, se nomes como Benecy Queiroz, Renê Salviano e outros que fizeram parte da última gestão, continuam com força dentro do clube?


Não dá. Para fazer um Novo Cruzeiro, é preciso mudar profundamente o clube. É preciso modernizar o Estatuto.


Além disso, não dá para permanecer associado às mesmas pessoas que ajudaram a jogar a instituição no buraco.  Não há como continuar com a perpetuação de poder e status das mesmas pessoas, das mesmas famílias. Não dá para ficar preso no mesmo jogo político de sempre.


O processo será longo e com muitos percalços ainda por vir.


Enquanto isso, o que nos resta é continuar a ajudar o clube do jeito que for possível. Seja com doações, se associando ao programa de sócio torcedor, com um maior engajamento nas redes sociais do clube e, também, cobrando pelas melhorias necessárias.


Com a volta do futebol, também poderemos ver o trabalho do técnico Enderson Moreira. Infelizmente, por enquanto, não poderemos mostrar o nosso apoio dentro do Mineirão.


Quem sabe, em breve.


Para cima deles, Cruzeiro.

10 comentários:

  1. Colocar meu dinheirinho pra essa farra de milhões para todo lado. Só pode ser brincadeira!!

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  2. O maior de minas da segunda divisão ganhou de quem? Kkkkkkk

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  3. As bizarrices do cruzeiro ocorreram a luz do dia, contratos absurdos ,dirigentes desqualificados, total indiferença no ano passado e despreocupação com o rebaixamento. A gestão financeira do cruzeiro foi impressionante. O que mais choca e que itair machado já tinha um histórico absurdo, ele depois de afundar o Ipatinga assume o Cruzeiro com plenos poderes e além das questões que estão sendo investigadas, se comprou de maneira jeca e provinciana, ao contratar jogadores com contratos a absurdos, totalmente deslumbrado, parecia que ele estava no Ipatinga e tinha que dar tudo para jogadores em fim de carreira. O tal do Serginho , sem comentários. Benecy?? O que esee cara tem?? O que ele ainda faz?? Bizarro o Cruzeiro gastou energia com um treinador que é caso perdido:Adilson batista. É difícil para o torcedor ajudar o clube sabendo que o dinheiro vai ser destinado para pagar as figuras do.ano passado e dividas dividas absurdas...

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  4. Só um milagre, para sair desta lama podre. No meu tempo comentaristas de Futebol profissional como Osvaldo de Farias, Cafunga e outros bons que não me recordo. Vendo uma situação desta, desciam a lenha e não deixava barato pros bandidos infiltrados... como foram uteis estes comentaristas profissionais que hoje também esta uma raridade, os comentários destes senhores eram uma grande força pra torcida... que saudade de nosso Cruzeiro que ja foi ótimo.

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  5. Otima reportagem.
    Realmente é muito dificil acreditar em um novo CRUZEIRO, se as mesmas pessoas estão lá.
    Infelizmente no Brasil, clube de futebol é um paraiso financeiro. Fazem o que querem e não acontece nada.
    Como que o um clube de futebol gera prejuizo de mais 1 milhão por mes e ninguem tem qualquer responsabilidade.
    A nossa justiça poderia ter um outro olhar, pois estes documentos emitidos (contratos), geraram vantagens a pessoas indevidamente. Até porque o torcedor, quase que na sua totalidade ganha 2 ou 3 salarios minimos, vai a jogos à meia noite, para no dia seguinte às 7h está no trabalho.

    Realmente é lamentavel.

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